Jimmy Smith e Alexandre Pires são a mesma pessoa

alexandrepires_jimmysmith

Isso foi no ano passado. Pedi uma indicação, clara e simples: “Queria escutar uns nomes do jazz que se sagraram com um rhodes ou um hammond”. Dos nomes na mesa, ou talvez tenha sido só um, deu Jimmy Smith. Eu nunca havia ouvido falar dele, mas a música me soava muito um cara de quem eu já gostava bastante (o Baby Face Willette), e aí, por essa mão que os streamings têm nos dado, encontrei rápido um disco do Jimmy – o Root Down, gravado ao vivo em 1972.

Depois da epifania que eu tive escutando a segunda faixa, e que devo contar daqui um, dois ou mais parágrafos, fui atrás de Jimmy Smith.

Esse solo de órgão fodido que existe em ‘Bad’, do Michael Jackson, por exemplo, é dele. Parece que a ideia era ter o Prince aí, mas não deu certo e o Quincy Jones – que produziu o álbum – convidou o Jimmy.

Eu não lembro exatamente quando conheci Só pra Contrariar, mas foi na época do lançamento do álbum homônimo, de 1997 (também conhecido como ‘Depois do Prazer’); segundo dados da ABPD, vendeu mais de 3 milhões de cópias – uma delas, à disposição em uma prateleira das Lojas Americanas, em Maringá, Paraná, foi adquirida por mim.

Em 11 de setembro de 1998, uma sexta-feira, além da estreia de ‘O Resgate do Soldado Ryan’, o Guia da Folha anunciava: “Marantz Jazz: o grupo norte-americano Take 6, o quinteto de New Orleans Astral Project, o organista Jimmy Smith e o cantor Kevin Mahogany são as atrações da segunda edição do festival de jazz”. Era caro, e no Bourbon Street, lógico. Na página 70 do Guia, esse era o destaque do canto superior esquerdo, o primeiro, enquanto o destaque no canto inferior direito, o último, era: “Só Prá (sic) Contrariar: o grupo de pagode, um dos maiores números de vendagem do gênero, é a segunda atração da nova casa de espetáculos da cidade”, e por aí ia. A casa, no caso, era o (detestável) Via Funchal.

Até então, a única coisa que poderia ligar Alexandre Pires a Jimmy Smith seria a coincidência de ambos terem feito apresentações na mesma semana, na mesma cidade. E a não ser que você imagine um deles cortando o bis do próprio repertório para pegar o fim do show do outro, não faz qualquer sentido essa associação.

A não ser que:

Bem, se isso não te lembra ‘Depois do Prazer’…

O Alexandre Pires nasceu em 1976, quatro anos depois desse histórico registro, deixando como única possibilidade ele ter conhecido a música por intermédio de alguém, tipo o pai dele. No site oficial diz que o João Pires, o Seu João, fazia parte de uma banda em Uberlândia, que ‘sacodia os salões de baile’ (sic). Pode ser, nunca saberemos.

Como o Camilo bem observou, é como se o Bad Plus resolvesse interpretar Só Pra Contrariar. Mas aí é meio que o contrário: o Só pra Contrariar é que teria feito o Bad Plus – ou, no caso, o Alexandre Pires fazendo as vezes de Jimmy Smith.

Se tudo isso não te serviu pra nada, o que é até provável, fique pelo menos com os seguintes links para conhecer mais de Jimmy Smith. Porque de SPC todo mundo sabe um pouco.

Jimmy Smith: 1, 2, 3, 4

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